Moçambique on-line

Notícias do dia 9 de Fevereiro 2002

Terminou congresso sobre luta de libertação

Terminou ontem em Maputo o Segundo Congresso sobre a Guerra Colonial/Luta de Libertação Nacional, organizado pelo Instituto Superior Politécnico e Universitário (ISPU) em conjunto com a Universidade Aberta de Portugal. Um dos principais constrangimentos do congresso, que durou dois dias, foi a ausência de académicos e ex-militares portugueses ao nível dos participantes africanos, não obstante os organizadores terem feito os respectivos convites. A presença significativa de políticos ex-combatentes da luta de libertação fez com que o Congresso estivesse em constante perigo de o discurso político sufocar a análise científica.

Na sessão inaugural, o ministro para os Assuntos dos Antigos Combatentes, António Hama Thai, desafiou os académicos para vencerem "a barragem de mitos construídos para justificar e legitimar a guerra de colonização, que a própria história provou ser injustificável e ilegitimável". No primeiro congresso sobre a guerra colonial, que se realizou em Abril de 2000 no Instituto da Defesa Nacional, em Lisboa, os debates vincavam a ideia de que os movimentos de libertação nunca tiveram força suficiente para derrotar o exército colonial. Neste segundo congresso, no entanto, prevaleceu a convicção de que, nas palavras de Hélder Martins, antigo combatente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), "é preciso desmistificar a ideia de que as independências foram concedidas por Portugal".

Jorge Rebelo, que apresentou o tema "A inevitabilidade do recurso à acção armada para a conquista da Independência" recordou que Portugal nunca quis dialogar com os movimentos nacionalistas. Rebelo afirmou que o 25 de Abril representou também uma forma de os militares portugueses evitarem a humilhação em África: "a humilhação de uma derrota total". António Hama Thai sublinhou que, embora as acções armadas tivessem pouco valor militar, tinham um "grande valor psicológico". Mário Machungo, economista e militante na clandestinidade da FRELIMO, falando como orador no âmbito do tema "O Impacto da guerra colonial sobre as economias de Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo-Verde e São-Tomé e Príncipe", afirmou que a guerra movida pelo regime colonial português foi o principal consumidor da riqueza nacional em prejuízo do desenvolvimento económico.

O congresso debateu ainda questões tais como a guerrilha e contra-guerrilha levada a cabo durante a luta, o conceito de libertação nacional em Moçambique, em Angola e em Guiné Bissau e Cabo Verde, o Estado colonial português em face dos movimentos de libertação, a acção das igrejas na luta, o papel da mulher e a relação entre organizações como a ONU e a OUA e os movimentos de libertação. (Notícias, Expresso, 09/02/02)

Leia mais sobre o mesmo tema:
30 de Janeiro: Congresso sobre a luta de libertação

 

Cooperação com Espanha: 27 milhões de euros

A cooperação entre Moçambique e a Espanha atingirá a fasquia de 25 milhões de euros no período 2002-2004, disse Miguel Nadal, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Espanha, momentos após ter sido recebido em audiência pelo Presidente Chissano. O dinheiro será gasto principalmente em programas que se enquadram no Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA). Metade dos cerca de nove milhões de euros alocados anualmente deve ser atribuída às organizações não-governamentais espanholas.

Em termos de concentração geográfica, a província de Cabo Delgado será o maior absorvedor da ajuda espanhola através de um plano integral de acção já traçado. Os programas de cooperação com a Espanha concentram-se nas áreas de saúde, educação, direitos da mulher, pescas, e a reforma da polícia. De acordo com Nadal, Moçambique é o primeiro receptor de ajuda de Espanha na África sub-sahariana. A cooperação internacional espanhola, por motivos históricos, tem-se dirigido principalmente para a América latina. (AIM 07 e 08/02/02)
 

Na Tanzania:
FADM participam em manobras conjuntas

Efectivos das Forças Armadas de Moçambique, FADM, estão na Tanzania a participar num exercício militar conjunto denominado "Tanzanite", inserido no âmbito do reforço da capacidade de manutenção da paz em África. Trata-se de uma iniciativa da Tanzania em conjunto com a França, que junta militares de Madagáscar, Quénia e dos países da SADC. O contingente moçambicano é composto por 36 elementos de infantaria e ainda oficiais do Estado-Maior General.

O programa dessas manobras, iniciadas hoje, sábado, prevê o treino da força interafricana, o desdobramento na região de Tanga, escolhida para esta simulação, e a realização de outros exercícios no terreno. Refira-se que oficiais das FADM participaram no ano passado num exercício de treino do Estado-Maior da força interafricana, que agrupou oficiais de diferentes de estados africanos. (Notícias, 09/02/02)
 

Dhlakama insta deputados a assumir responsabilidades

Afonso Dhlakama instou os deputados da Renamo na Assembleia da República para acabarem com as divergências no seio do grupo e assumirem as suas responsabilidades na revisão da lei eleitoral e da Constituição. Para o líder da Renamo, que falava em Quelimane no encerramento do Conselho Nacional, a Frelimo "não está a dormir". Apelou para que os membros do seu partido intensifiquem a vigilância sobre o partido no poder para evitar surpresas. Por outro lado, Dhlakama considera que existem pessoas "infiltradas e inimigas" no seio da Renamo. (Notícias, 09/02/02)
 

Notícias de ontem (8 de Fevereiro 2002):

Militares denunciam torturas no quartel de Matacuane
Três nomes para sucessão de Chissano: Guebuza, Mocumbi, Mulémbwè
Energia ficou mais cara
USAID vai financiar projectos agrícolas no Norte


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